segunda-feira, abril 07, 2008

Ossos do ofício

O presente artigo vai na linha da postagem anterior. Nesse fim de semana, houve um evento aqui em Brasília do qual participaram alguns camaradas de Palmas-TO. Depois de uma oficina e uma palestra, eu e aqueles camaradas fomos fazer um 'papoeira', regado com alguns copos de cerveja. Talvez um pouco incomodado com a postura meio arrogante do palestrante que acabara de falar-- um estudioso cujos dotes capoeirísticos ele colocava em dúvida -- um dos colegas levantou a seguinte idéia: "Em última instância, o capoeirista vale pelo seu jogo, não existe respeito entre dois capoeiristas se o jogo dos dois não se equivale dentro da roda".
Surgiu daí um debate interessante, pois os outros membros da mesa começaram a relativizar essa noção. É claro que o prestígio de um capoeirista é construído principalmente dentro da roda, mas suas relações fora dela importam muito. O fato de um mestre ou professor ter um trabalho importante e possuir contatos dentro do meio capoeirístico (ou até de fora dele: o acesso ao poder público ou ao financiamento privado, por exemplo) faz com que seu nome seja mais respeitado no nosso meio.
De fato, parece que a partir de um determinado momento, entrar numa roda de capoeira deixa de ser somente diversão e passa a ser também meio de estabelecer vínculos profissionais e de "fazer um nome" dentro do ambiente da vadiação. Daí a importância que a freqüência a batizados e formaturas adquiri para mestres, professores e graduados que ambicionam fazer carreira.

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